Os novos donos do poder

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Os novos donos do poder

Mensagem  Flávio Martins da Silva em Seg Set 24, 2012 4:12 pm

Ao longo dos Tempos Modernos, período compreendido entre os séculos XVI e início do XIX, o poder do Estado sobre a narração era
exclusivo e incontestável. As estruturas econômicas, sociais e culturais ainda não tinham transcendido as fronteiras dos estados nacionais. Desconhecia-se qualquer organização supranacional, com exceção da Igreja Católica, que afrontasse o poder do Rei, então absolutamente soberano sobre as atividades e comportamentos de seus súditos. O poder político e jurídico do Estado tinha condições de impor regras e determinações a empresas, instituições da sociedade civil e também aos cidadãos. Desobedecer a vontade do "Príncipe" significava prisão, represálias e, muitas vezes, até a eliminação física pelo emprego da pena capital. Na época, portanto, era absolutamente válida a conhecida frase de Luís XVI, o "Estado sou eu".
Com o dsenvolvimento do capitalismo, ampliando, em escala mundial, o comércio e as aplicações financeiras, o estado nacional se depara com um novo cenário: sua política econômica, suas decisões jurídicas e institucionais devem, a partir daí, levar em consideração os interesses e projetos de outras nações. Na frase mercantilista, a filosofia econômica das nações absolutistas, os gorvernos impunham barreiras protecionistas para evitar a entrada de artigos estrangeiros em seu território. A crescente mundialização da economia, já evidente no século XIX, impedia restrições alfandegárias, pois o país que evitasse comprar gêneros importados, também não venderia não venderia os seus para os mercados externos. Começaca imperar uma lógica econômica supranacional que sobrepujava a vontade dos poderes políticos nacionais. Agora, empresários e investidores, se prejudicados pelo "Príncipe", operariam em terras estrangeiras, solapando a economia e as finanças de seu próprio país. Nascia uma "nova pátria", não mais a definida por um solo, por uma origem étnica ou por hábitos culturais comuns, mas a "a pátria do lucro". Para o homem conteporâneo, o "lar nacional" não mais seria determinado por laços afetivos - patriotismo e nacionalismo -, mas, isto sim, pelo lugar que permitisse o crescimento econômico e a ascensão social. O Rei tornou-se cauteloso: perseguir o capital implicava perdê-lo.
Também a proliferação de idéias e estados liberal-democráticos, criou um fenômeno até então inédito: a "opnião pública". Os cidadãos e segmentos sociais, agora menos tutelados pelo Estado, passaram a exigir seus direitos e a limitar a prepotência do Poder. Os governos, agora, só podiam agir dentro das normas instituídas pelo Direito. O Soberano já não mais podia ser Déspota.
Nos anos recentes, a globalização financeira, econômica e a difusão de hábitos culturais em escala planetária restringiram ainda mais a ação dos estados nacionais. Hoje, já se fala de uma sociedade civil internacional. Antes, crimes e outras atitudes ilícitas levadas a efeito pelos governantes eram desconhecidos pelos povos; hoje, as redes internacionais de comunicação informam todos os cidadãos sobre as ações dos poderosos. A condenação moral tornou-se mundial, inibindo os mandatários políticos. A produção é global, escapando progressivamente ao controle do Estado; a circulação de bens é planetária, dificultando decisões estatais que prejudiquem o livre comércio; a cada dia se formam organizações não-governamentais que atuam em escala mundial. Esboça-se, até mesmo, um Direito Penal internacional, visando punir crimes contra a humanidade. Não, definitivamente não, se pode dizer "aqui mando eu". O Estado, sem dúvida, ainda é um aparelho de mando, mando este, contudo, compartilhado com outros "donos do poder".

Flávio Martins da Silva

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Re: Os novos donos do poder

Mensagem  red1000 em Sab Set 10, 2016 8:31 am

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Re: Os novos donos do poder

Mensagem  red1000 em Dom Set 11, 2016 1:26 pm

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Re: Os novos donos do poder

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